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Materiais, automação e ESG redefinem o mercado de embalagens em 2025–2026

O mercado global de materiais e máquinas para embalagens atravessa, em 2025–2026, uma fase de transformação estrutural. Sustentabilidade, automação avançada e eficiência de custos deixaram de ser tendências isoladas e passaram a atuar de forma integrada, redefinindo decisões de projeto, investimento e operação em toda a cadeia de embalagens.


Estimativas internacionais indicam que o mercado global de embalagens deve atingir cerca de US$ 1,14 trilhão até 2026, com crescimento consistente no segmento de embalagens flexíveis. Esse avanço reflete uma mudança clara de prioridade: menos material, mais performance e maior reciclabilidade, especialmente por meio do desenvolvimento de soluções monomateriais capazes de manter propriedades de barreira e proteção.


No centro dessa transição está a busca por economia circular aplicada, e não apenas declarada. Embalagens reutilizáveis, recicláveis e soluções conectadas — apoiadas por sensores e tecnologias de IoT — ganham espaço ao permitir rastreabilidade, monitoramento de condições e maior controle logístico ao longo do ciclo de vida do produto.


Ao mesmo tempo, a indústria de máquinas de embalagem passa por uma evolução acelerada. A integração de robótica, inteligência artificial e sistemas de visão computacional tem ampliado a automação do chão de fábrica, com impactos diretos na produtividade, no controle de qualidade e na manutenção preditiva. Segundo projeções recentes da Towards Packaging, o mercado global de máquinas de embalar pode saltar de aproximadamente US$ 53 bilhões em 2025 para mais de US$ 83 bilhões até 2034, impulsionado justamente por essas tecnologias.


No Brasil, apesar de um cenário econômico mais cauteloso em 2025, o setor de embalagens demonstrou resiliência ao priorizar eficiência operacional, redução de perdas e inovação tecnológica. O avanço de fabricantes nacionais exportando máquinas para mercados maduros, como a Europa, sinaliza uma evolução relevante da engenharia local e da capacidade de competir globalmente.


A sustentabilidade também se consolida como fator decisivo no mercado interno. Pesquisas indicam que o design minimalista e ecológico influencia significativamente a decisão de compra dos consumidores brasileiros, impulsionando o uso de materiais recicláveis, biodegradáveis e soluções com menor impacto ambiental. Paralelamente, segmentos como papelão ondulado mostram expectativa de retomada, impulsionados pelo e-commerce e pela reorganização do consumo.


No campo tecnológico, ganham destaque soluções voltadas ao aumento da vida útil dos produtos, como embalagens com atmosfera modificada (MAP e EMAP), além da automação logística no final de linha e em armazéns, com uso intensivo de IA para reduzir desperdícios e otimizar fluxos. Processos como moldagem por sopro e extrusão também passam por ajustes para lidar com materiais renováveis e reciclados, exigindo novos parâmetros de controle e precisão.


O que se observa, de forma clara, é que o mercado de embalagens entra em um novo ciclo: menos foco em volume e mais foco em inteligência. Materiais, máquinas e logística passam a ser pensados como um sistema integrado, onde sustentabilidade, automação e competitividade caminham juntas. Para a indústria, acompanhar essas transformações não é apenas uma questão de inovação, mas de sobrevivência e posicionamento estratégico nos próximos anos.

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