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Embalagens flexíveis crescem em receita, mas indústria opera com ociosidade no Brasil


O setor brasileiro de embalagens plásticas flexíveis encerrou 2025 com faturamento de R$ 40,1 bilhões, alta de 6,2% sobre o ano anterior. O dado mostra resiliência financeira — mas esconde um sinal de alerta: a produção caiu.

Segundo pesquisa da Maxiquim para a ABIEF, o volume produzido ficou em 2,32 milhões de toneladas, recuo de 0,5%, enquanto o consumo aparente caiu 0,9%.

Na prática, a indústria vendeu mais caro, mas produziu menos.


Ociosidade e margens pressionadas

A capacidade instalada do setor é de 3,3 milhões de toneladas por ano, mas a taxa média de operação ficou em 70,4%.

Isso indica:

• demanda irregular• custos elevados• cautela em investimentos

Em um cenário de juros altos e crescimento econômico moderado, muitas empresas optaram por segurar produção.


Agro salvou o ano

O grande motor do setor foi o agronegócio.

A demanda por embalagens agrícolas cresceu quase 10%, impulsionando filmes agrícolas, geomembranas e embalagens para fertilizantes.

Já segmentos tradicionais recuaram:

• alimentos – principal cliente do setor – caiu cerca de 3%• higiene pessoal caiu mais de 11%• limpeza doméstica recuou quase 6%

O consumo per capita de embalagens flexíveis caiu para 10,8 kg por habitante.

O recado é claro: bens essenciais resistem, mas categorias de consumo discricionário ainda sentem a pressão econômica.


Um setor pulverizado

A indústria brasileira de embalagens flexíveis é formada por quase 3.900 empresas, responsáveis por mais de 116 mil empregos.

A maioria é de pequeno porte:

• 36% têm até quatro funcionários• mais da metade está no Sudeste• cerca de 27% no Sul

Esse perfil explica a sensibilidade do setor a crédito caro e variações de demanda.

Resinas e reciclagem

PEBD e PEBDL continuam dominando a produção, respondendo por cerca de 73% do total, seguidos por PP e PEAD.

O uso de material reciclado permaneceu praticamente estável, em torno de 5%.

Para um setor pressionado por sustentabilidade e legislação, o dado mostra que a transição para reciclados ainda é lenta.


O que esperar de 2026

A pesquisa aponta um cenário de recuperação gradual, com inflação controlada e possível queda de juros — mas ainda com incertezas fiscais e comerciais.

Para a indústria de embalagens flexíveis, o desafio continua sendo equilibrar três fatores:

demanda instável ,custos elevados ,pressão por sustentabilidade


Leitura Pack

O desempenho de 2025 mostra uma indústria resiliente, mas cautelosa.

A dependência do agro, a ociosidade das fábricas e a lenta adoção de reciclados indicam que o setor vive um momento de transição — entre crescimento nominal e mudanças estruturais.

Para fornecedores de resinas, convertedores e marcas, a pergunta continua:

👉 como crescer com eficiência em um mercado que exige escala, inovação e sustentabilidade ao mesmo tempo?

 
 
 
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