Conveniência vs. Sustentabilidade: O Dilema das Embalagens Single-Serve no Brasil
- radarindustrial
- há 1 dia
- 2 min de leitura

O mercado de bebidas está vivendo uma transformação silenciosa nas gôndolas: o encolhimento das porções. O que antes era dominado pelas embalagens familiares de 2 litros, agora abre espaço para as "minis" e doses individuais. Mas como equilibrar esse crescimento com a crescente pressão pela agenda ESG?
O Motor do Crescimento: Da Saúde ao Luxo Acessível
Dados globais recentes indicam que o formato single-serve (dose única) não é apenas uma moda passageira, mas uma resposta a novos comportamentos de consumo:
Controle de Porções e GLP-1: Com a ascensão de medicamentos voltados ao emagrecimento (como o Ozempic), o consumidor brasileiro busca saciedade em volumes menores, impulsionando a venda de latas de 220ml.
Premiumização: As embalagens individuais funcionam como uma "ponte de entrada". O consumidor pode experimentar um coquetel pronto (Ready-to-Drink) ou um destilado premium sem investir em uma garrafa inteira.
Higiene e Praticidade: O hábito de "beber em movimento" (on-the-go) consolidou-se no pós-pandemia, onde a segurança individual é prioridade.
O Contraste Brasileiro: Alumínio vs. PET
Enquanto o sistema de reciclagem dos EUA enfrenta dificuldades estruturais com o volume de doses únicas, o Brasil apresenta um cenário misto. Segundo a Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), o país mantém índices de reciclagem de latas acima de 95%, o que mitiga o impacto ambiental das porções individuais em metal.
O desafio, contudo, permanece no PET e nos laminados. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pressione a indústria pela logística reversa, a proliferação de embalagens pequenas aumenta a complexidade da coleta seletiva e do processamento de resíduos.
Conclusão para a Indústria
O crescimento de 33,4% na categoria de coquetéis individuais aponta um caminho sem volta. Para as marcas brasileiras, o sucesso no setor de embalagens da Revista Pack dependerá da capacidade de oferecer essa conveniência sem ignorar o ecodesign. A "democratização do consumo" via doses únicas só será sustentável se vier acompanhada de materiais de fácil circularidade e educação do consumidor.




Comentários