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Resíduos que viram embalagem: nova geração de copos biodegradáveis chega ao foodservice


O setor de foodservice enfrenta um dilema cada vez mais evidente: como reduzir o impacto ambiental de embalagens descartáveis em ambientes onde a reutilização é impraticável, como estádios, festivais e grandes eventos.

Em um único festival, milhares de copos descartáveis podem ser utilizados em poucas horas. Grande parte acaba em aterros sanitários, contribuindo para o aumento da poluição plástica.

Nos últimos anos, a indústria de materiais avançados passou a explorar uma solução promissora: produzir bioplásticos a partir de resíduos urbanos, como óleo de cozinha usado. A proposta é transformar um passivo ambiental em matéria-prima industrial, reduzindo a

dependência de resinas fósseis e ampliando a circularidade.


Oportunidade brasileira

O Brasil tem enorme potencial nessa área.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes, milhões de litros de óleo de cozinha são descartados de forma inadequada todos os anos. Parte desse volume poderia ser convertido em insumo para biocombustíveis, sabões e, mais recentemente, biopolímeros.

Além disso, o país possui:

  • grande mercado de eventos e foodservice

  • legislação crescente sobre reciclagem e logística reversa

  • indústria petroquímica e de embalagens consolidada

Esse cenário favorece a adoção de novos materiais.


Como funcionam esses copos

Os novos copos descartáveis baseados em resíduos combinam três elementos:

• conteúdo renovável ou reciclado• capacidade de reciclagem quando coletados• degradação segura quando descartados inadequadamente

Tecnologias de degradação controlada buscam evitar a formação de microplásticos, um dos principais desafios ambientais atuais.

Mas especialistas alertam que nem todo material biodegradável funciona nas mesmas condições. É essencial avaliar:

  • tempo real de degradação

  • ambiente necessário para decomposição

  • certificações técnicas

  • impacto no ciclo de vida do produto


Foodservice: onde o desafio é maior

Em ambientes como shows e eventos esportivos, a reutilização de copos muitas vezes é inviável por questões logísticas ou sanitárias.

Nesses casos, soluções descartáveis com menor impacto ambiental podem ser parte da resposta.

Empresas de bebidas e organizadores de eventos já buscam alternativas que reduzam emissões e resíduos, principalmente diante de novas exigências ESG e pressão do consumidor.


Desafios para escala industrial

Apesar do avanço tecnológico, ainda existem barreiras importantes:

  • custo comparado ao plástico convencional

  • infraestrutura de coleta e reciclagem

  • certificação e padronização

  • percepção do consumidor

A adoção em larga escala depende de colaboração entre indústria, governos e cadeias de coleta.


O que vem pela frente

A tendência aponta para soluções híbridas, combinando:✔ conteúdo renovável ✔ reciclabilidade✔ degradação segura

Mais do que substituir um material por outro, a indústria de embalagens caminha para redesenhar o ciclo completo das embalagens descartáveis.

Transformar resíduos urbanos em matéria-prima pode ser uma das rotas mais promissoras para reduzir o impacto ambiental do foodservice — especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

 
 
 
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