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Automação, design e sustentabilidade redesenham o cenário na Envase Brasil 2026


Matéria: Estefânia Vieira Linhares


Tecnologia, inovação, debates, reencontros e negócios marcaram os três dias da Envase Brasil 2026, realizada de 14 a 16 de abril, nos pavilhões da Fundaparque, em Bento Gonçalves (RS). O evento destacou indicadores que evidenciam o potencial dos segmentos de máquinas, insumos e embalagens para a indústria de alimentos e bebidas, reunindo aproximadamente 140 expositores — um crescimento de 16,7% em relação a edição anterior.

O primeiro dia foi marcado por palestras e por um cenário de incertezas quanto ao desempenho dos dias seguintes em um setor tão relevante para a Serra Gaúcha. Ao final da feira, no entanto, as expectativas superaram as estimativas iniciais de alguns expositores, que celebraram o avanço de negociações promissoras.

A Envase Brasil recebeu um público de cerca de 6 mil visitantes e projeta movimentar aproximadamente R$ 125 milhões em negócios ao longo dos próximos meses — volume cerca de 10% superior ao registrado na edição anterior, realizada em 2024. Ao todo, durante o evento, ocorreram nove palestras, três pitch days e dois painéis.

A 17ª edição já tem data definida: ocorrerá nos dias 25, 26 e 27 de abril de 2028, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS).


Tendência: vidro transparente

O uso de garrafas transparentes vem ganhando espaço no setor de bebidas alcoólicas, como vinhos e destilados. A tendência reflete um consumidor cada vez mais exigente, que valoriza a possibilidade de visualizar o produto, aliando isso à apreciação de bebidas de qualidade.

Associada a essa demanda, observa-se também um investimento crescente em design elegante e versátil, especialmente em produtos de alto padrão, como os destilados.

Outro aspecto relevante é a sustentabilidade. Empresas que conseguem unir qualidade e responsabilidade ambiental conquistam maior espaço e preferência no mercado, agregando valor ao produto.

A Verallia destacou a migração do tradicional vidro verde para garrafas transparentes no setor vitivinícola. Entre as novidades, apresentou a garrafa KHOLE, voltada à indústria de destilados.

Por outro lado, o vidro verde mantém vantagens importantes, como a possibilidade de reciclagem de até 80%. A empresa também desenvolve programas de incentivo à reciclagem na Serra Gaúcha.

Em 2025, a Verallia modernizou sua operação no Rio Grande do Sul com a inauguração de um novo forno equipado com tecnologia de ponta, capaz de reduzir em cerca de 20% as emissões de CO₂ em comparação aos equipamentos convencionais. O investimento ampliou a capacidade produtiva e reforçou o compromisso com sustentabilidade e inovação.

Outra empresa do segmento é a Saverglass, de origem francesa, focada em um público que busca produtos diferenciados, independentemente do custo. Suas principais inovações estão há cerca de um ano no mercado.


Novidades em equipamentos

Entre as novidades apresentadas pela Sava — indústria de equipamentos para os setores de bebidas, alimentos e farmacêutico — estiveram o capsulador linear para espumantes e a rotuladora rotativa. Ambos os equipamentos apresentam maior capacidade de produção em comparação às versões anteriores.

A assistente de vendas Juliane Gallon explicou que o capsulador linear teve sua capacidade ampliada de mil para três mil garrafas. Já a rotuladora rotativa permite a aplicação de rótulos e contrarrótulos com mais agilidade e precisão.

Mesmo sem concorrentes diretos, a Varpe optou por participar da Envase Brasil 2026. Para a feira, a empresa apresentou três produtos: uma balança, um sistema de inspeção por raio X e uma rotuladora.

A indústria é voltada principalmente ao setor farmacêutico, com foco em soluções que combinam flexibilidade, personalização, funcionalidade e design.

O grupo Varpe é líder global em soluções de inspeção por raio X, controle de peso e detecção de metais para processos produtivos.

O supervisor comercial no Brasil, Lucas Padilia, destacou que o sistema de inspeção por raio X é capaz de detectar qualquer partícula no produto. “É um equipamento que utiliza inteligência artificial e tem chamado a atenção da indústria”, afirmou. Segundo ele, o primeiro dia de feira teve movimentação tímida, mas o resultado final superou as expectativas, gerando pedidos e novas demandas de projetos.

A Robopac Brasil participou da Envase Brasil com foco na redução de custos e no aumento da eficiência operacional. Entre os objetivos está a diminuição em até 50% do consumo de filme stretch, além do aumento da precisão no envase e da segurança operacional.

Durante o evento, a empresa apresentou soluções voltadas à redução de desperdícios. Entre elas, a EXATA — envasadora por célula de carga com tampador — indicada para líquidos de diferentes viscosidades.

A solução incorpora recursos da Indústria 4.0, como monitoramento da produção, cálculo de eficiência em tempo real, registro de paradas, gestão por lotes e módulos de TPM e troubleshooting.

Outro destaque foi a Rotoplat 708 PVS, com pré-estiramento de até 400%, e o sistema Helix 3, capaz de reduzir entre 30% e 55% o consumo de filme stretch, além de melhorar a estabilidade das cargas e a eficiência operacional.


Unidade Móvel da Envase

Uma das novidades foi a Unidade Móvel da Envase: um caminhão totalmente adaptado para o envase de vinhos.

O sistema conta com equipamentos para higienização de garrafas, filtragem, envase e rotulagem, permitindo a realização de todo o processo diretamente nas propriedades.

A proposta é levar um padrão de engarrafamento até os produtores, evitando deslocamentos para grandes centros. Entre os benefícios estão o ganho de eficiência, a redução de custos logísticos e a garantia da qualidade do produto.

Inicialmente, a iniciativa pretende atender 65 vinícolas coloniais, com potencial produtivo de até 1,3 milhão de litros.

O veículo é da marca Agrale, equipado com furgão da Dalpoza, e conta com tecnologia da Sava.


Tecnologia em evidência

Entre os destaques que chamaram a atenção do público esteve o robô da Fiergs, que interagiu com os visitantes, além do já conhecido robô da Dalca, que circulou pelos corredores movimentados. Ambos reforçaram a presença da tecnologia nos estandes.

Durante a palestra “Automação e inovação: caminhos para a competitividade da indústria brasileira”, o presidente executivo da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, afirmou que a migração para a Indústria 4.0 não exige, necessariamente, grandes saltos tecnológicos. Destacou ainda que, independentemente dessa evolução, a manutenção da mão de obra continua sendo essencial. Para embasar sua análise, citou uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 
 
 

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