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Coordenador da nova Câmara Setorial de Plásticos da Abimei busca união dos importadores

Roberto Guarnieri assumiu cargo em março deste ano e assume dificuldade em agregar empresas importadoras

Kleber Pinto
Da Redação da Pack online


Desde março deste ano, Roberto Guarnieri, gerente de divisão de plásticos do Grupo Furnax, trabalha como coordenador da recém-criada Câmara Setorial de Plásticos da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (ABIMEI).

Guarnieri foi convidado pela presidência da entidade em dezembro passado para assumir um setor que conta com um parque fabril de 60 mil máquinas para atender aos mais diversos segmentos, incluindo automotivo, embalagens e utensílios de cozinha.

Em entrevista à Pack online, Roberto Guarnieri relata as dificuldades da câmara. “Nosso maior desafio nesse momento é fazer com que os importadores se associem a nós. Percebo que as empresas se olham como concorrentes. Elas precisam entender que todos temos um objetivo comum: trabalhar nossos equipamentos no Brasil.”

Desde sua criação, a câmara conta com apenas três – grandes – associados: Grupo Furnax, Ferramentas Gerais e Meggaplásticos. Segundo o coordenador, outras 25 empresas estão sendo convidadas a fazer parte do grupo.

De onde surgiu a necessidade da Câmara Setorial de Plásticos? E Como começou essa movimentação na Abimei?
A Abimei existe há seis anos e reúne – em sua maior parte - , empresas de corte e usinagem. A maioria desses equipamentos está ligada ao plástico. Há dois anos percebemos que a Câmara do Plástico havia sido criada, mas não tinha representante. Nosso presidente então me ofereceu o cargo para que eu tomasse a frente da câmara. Isso ocorreu efetivamente no começo deste ano, quando começamos a traçar uma estratégia de trabalho. Até então, o setor estava parado dentro da associação.

Então havia uma demanda na Abimei...
Sim, e ninguém do setor do plástico estava ligado às necessidades desse segmento. Atuo na área do plástico há 25 anos.

E como é iniciar um trabalho com os importadores em um período confuso para a economia mundial e para a indústria nacional?
Começamos efetivamente em março, mas nossas conversas vêm do final de 2008. Não temos problema em relação a isso. Nosso maior desafio nesse momento é fazer com que os importadores se associem a nós. Percebo que as empresas se olham como concorrentes. Elas precisam entender que todos temos um objetivo comum: trabalhar nossos equipamentos no Brasil. Eles acham que fazendo parte da associação terão de abrir suas estratégias de trabalho. Mas não é bem assim.

A dificuldade então é agregar essas empresas?
Exatamente. Eles querem saber o que a associação tem a lhes oferecer de bom para que façam parte. Por isso estamos traçando metas e objetivos para trazer essas empresas e unirmos forças. Quanto mais força tivermos, mais representação teremos e conseguiremos brigar por nossas necessidades.

Quais são as estratégias da câmara neste momento para agregar associados?
Nesse primeiro momento estamos engatinhando. Até agora temos três empresas ligadas ao setor: o Grupo Furnax, a Ferramentas Gerais e o Grupo MeggaPlásticos. O segmento conta com algo em torno de 20 a 25 importadoras de injetoras, sopradoras e extrusoras, para as quais estamos enviando convites para conhecer nossas intenções. Somos três grandes empresas, mas precisamos de forças para lutar por benefícios para a importação de máquinas. Sem contar a contrapartida da indústria nacional.

Há algum empecilho para a importação de máquinas hoje?
Por enquanto não vemos nenhum. O mercado de injetoras - e da indústria do plástico em geral - consome cerca de 60% dos nossos equipamentos, a maioria vem da Ásia. E vejo que a tendência é que esse número aumente.

O senhor tem alguma previsão desses números para 2009?
Não é possível prever porque nossas estimativas mudaram desde que a crise mundial chegou ao Brasil. Registramos uma pequena retração. No entanto, como disse, caso consigamos reunir mais associados, teremos uma representação maior e poderemos pleitear no Governo Federal alguma forma de financiamento para nossas máquinas. Hoje não temos nenhum incentivo, como do BNDES, por exemplo.

De certa forma, entrar nesse campo de financiamento não seria como comprar uma briga com outras entidades que representam a indústria nacional?
Que tipo de briga? O conflito é o seguinte: lá fora, eles (os fabricantes da Ásia) olham para o mundo, eles têm que atender a Europa e os Estados Unidos. O Brasil olha aqui para dentro. Não temos a tecnologia que se encontra lá fora. A reclamação da indústria nacional é que as (máquinas) asiáticas não têm qualidade. Mas estamos constantemente provando que temos tecnologia e preço muito mais acessível que as nacionais.

Mas o discurso da indústria nacional é que vocês, importadores, têm muito mais facilidades para atuar no mercado interno do que eles. Me refiro à venda de máquinas...
Com a facilidade de importação, qualquer um pode ter uma máquina de qualidade em sua indústria. No entanto, quem lhe dá a pós-venda, a assistência? Essa é a grande questão para quem compra.

Esse é um argumento dos importadores?
Sim, queremos mostrar para o consumidor nacional a confiabilidade de se comprar uma máquina de um importador. Quem está por trás dela? Somos empresas sólidas, não somos qualquer empresa.

Então a criação da câmara não tem a ver com a crise?
De maneira alguma. Essa movimentação na Abimei já estava acontecendo. A crise não nos afetou em nada, praticamente.

Há algum trabalho da câmara com o mercado externo?
Já temos a divulgação de nosso trabalho em outros países. Temos muitas empresas internacionais que estão nos procurando para representação. Empresas inglesas, italianas e espanholas estão interessadas nesse intercâmbio. Temos uma porta aberta fora do País.

Será fácil conciliar esse trabalho na Abimei com seu papel de gerente de divisão de plásticos do Grupo Furnax?
Isso não me preocupa porque é dia a dia. Tenho todo o suporte da entidade. Vamos direcionar o trabalho e os departamentos da Abimei darão continuidade. Nesse momento estamos trabalhando em sobrecarga, mas isso será ajustado. Em seis anos, a Abimei montou uma estrutura sólida e que funciona muito bem. Nossa primeira briga é mostrar para as empresas importadoras que podemos representa-las de forma efetiva numa feira ou mesmo no Governo Federal.

E depois?
Trazer algum órgão financiador para as máquinas importadas e lutar pelas necessidades das empresas do setor. Também teremos de nos defender desse outro lado (a indústria nacional) que vem nos atacando. É difícil, mas precisamos começar de algum lugar. Vamos começar mostrando que somos confiáveis.

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