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Apesar do desempenho do primeiro semestre não ser nem de longe o cenário mais esperado pelo setor de embalagem, pois os resultados ainda são um pouco negativos, os números já permitem traçar horizontes mais promissores, com a recuperação da produção física de embalagem. Nos primeiros seis meses desse ano, a produção física decresceu 9,67% em relação a igual período de 2008. Para o ano de 2009, a previsão é de recuo de 6%. No entanto, de dezembro de 2008 a junho de 2009, a produção física mensal avançou 8,68%, segundo resultados do Estudo macroeconômico da Embalagem Abre-FGV, realizado pelo Ibre-FGV, para a associação. Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Ibre/FGV, diz que mantido esse ritmo, em um semestre, a produção física mensal retornará ao nível de setembro de 2008. E a indústria de embalagens deve fechar 2009, com uma receita de R$ 33,2 bilhões. Desse total, figuram entre os setores mais representativos no bolo total da receita, a indústria de embalagens plásticas, que responde por R$ 12,3 bilhões, papelão ondulado, papel e papel cartão, R$ 9,3 bilhões, e metálicas, com R$ 5,8 bilhões.

 

As exportações diretas de embalagens registraram faturamento de US$ 159.599 mil no primeiro semestre desse ano, uma queda de 42,99% em relação ao mesmo período de 2008, quando o setor atingiu US$ 279.945 mil. A indústria de embalagens plásticas movimentou US$ 66.495 mil, metálicas, US$ 40.234 mil e papel e papelão, US$ 30.493 mil. Já as importações de embalagens, pela primeira vez, superaram as exportações, com US$ 203.848 mil no primeiro semestre de 2009 ante US$ 211.378 mil no mesmo período do ano passado. “Essa inversão na balança comercial não afetou somente o setor de embalagem, mas a indústria em geral. Mas, trata-se de uma situação transitória”, afirma Quadros.

 

O desempenho da indústria usuária de embalagem também sofreu os reflexos da crise econômica, com raras exceções, como é o caso da indústria de bebidas, com crescimento de 5,24% no primeiro semestre deste ano, a indústria farmacêutica, com 10,33%, e a indústria de perfumaria, cosméticos, exclusive sabonetes, com 1,32%. Os setores de alimentos, fumo, vestuário e acessórios, calçados e artigos de couro, e sabões, sabonetes, detergentes e produtos de limpeza amargaram um desempenho negativo.

 

Quadros também apresentou os resultados dos dados coletados em uma pesquisa qualitativa feita pela FGV, no período de 5 e 31 de julho de 2009, com 106 empresas de embalagens, que juntas movimentam R$ 16,7 bilhões em vendas e empregam 49 mil profissionais. Apesar da demanda de embalagem ainda ser considerada fraca pela maioria dos entrevistados, há uma retomada que começou a ser desenhada em abril e julho deste ano.

A dificuldade de obtenção de crédito também está deixando de ser uma restrição. Em julho de 2009, apenas 15% dos respondentes acreditavam que as condições eram mais difíceis. “Esse cenário melhora a capacidade de produção das indústrias de embalagem. Em julho deste ano, a utilização da capacidade era de 82,9%, uma diferença de 5% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma o economista.

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Diante da forte desaceleração sofrida pela economia brasileira no ano passado, a produção física de embalagem não deverá crescer em 2009, diagnostica Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As principais indústrias usuárias como alimentos e bebidas registraram crescimento negativo ou menor crescimento, em 2008, com -1,04% e 0,30%, respectivamente, com exceção do segmento farmacêutico, que obteve expansão de 19,70%.

 

 

No ano passado, segundo a sondagem da indústria de embalagem feita com 111 empresas médias e grandes, 72% afirmaram que estavam operando em condições de produção normais. Já no início de janeiro de 2009, 29% disseram que estavam operando com restrições de demanda, reduzindo o aquecimento do setor. “A demanda é um limitador de produção. A utilização da capacidade é uma das mais baixas, com 80,7%, em janeiro deste ano, em comparação ao ano anterior, quando o índice foi de 84,6%”, explica o economista. A demanda secou e as condições para obtenção de crédito também estão mais difíceis. “Esse cenário pode mudar, já que a situação é instável. Mas, não devemos esperar uma retomada de crescimento rápida”, contemporiza.

 

 

Quadros trabalha com dois cenários ao longo de 2009. Segundo ele, pode haver descolamento moderado (de queda suave a princípio de retomada da economia), já que as políticas monetárias e fiscal do Brasil compensam o choque externo e a ausência de vulnerabilidades primárias (crises bancária e imobiliária) podem contribuir para melhorar a economia brasileira. “Nesse cenário, o PIB vai crescer 2,5%, o consumo das famílias, 3,5% e a produção física de embalagem, 0%”.

 

 

No segundo cenário, o de aprofundamento da recessão, o economista prevê a saída de capitais e a retração das exportações, por exemplo, com crescimento de 1% do PIB, 2% o consumo das famílias e –2% a produção física de embalagens. 

 

Se a economia vai melhorar ou a crise piorar, o fato é que quem soube capitalizar os lucros em tempos de vacas gordas, agora pode correr atrás de novas oportunidades de negócios para crescer. Leia mais sobre o assunto que será tema de dois artigos da revista Pack, edição de março.

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TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

MARGARET HAYASAKI

Formada em jornalismo pela Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp-Bauru) e pós-graduada em Comunicação Empresarial pela Faculdade Cásper Líbero, Margaret Hayasaki atua há 10 anos no jornalismo especializado em embalagem. Começou como redatora na revista Pack e hoje é editora-chefe.

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