Um alento para a indústria
Opinião | Por Tatiana em 5 de fevereiro de 2009
Quem acompanha o noticiário – impresso, digital, TV ou rádio – tem a mesma impressão que nós, jornalistas: as notícias não são boas para a indústria nacional. Lê-se muito sobre demissões, ajustes, cortes de investimentos… É verdade, a crise está entre nós.
Desde dezembro passado, três meses depois do estouro da “bolha” no mercado internacional, representantes da classe industrial bradaram que todos deveríamos nadar contra a maré da crise. Só para citar um exemplo, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF), Rogério Mani, reforçou o empenho da Abiplast, Afipol, Abrafilme e Abraflex em seu discurso na festa de confraternização do setor, no final do ano. “Queremos mostrar que o processo de integração de todos os elos da cadeia produtiva do plástico continua a pleno vapor apesar das dificuldades enfrentadas durante o ano. Temos de retomar o ritmo normal de trabalho, com empenho, dedicação e com a certeza de que esta é apenas mais uma das muitas crises que já enfrentamos”.
O comentário de Mani foi bastante pertinente à época. De dezembro para cá, mais notícias ruins infestaram o noticiário: “35,8% das indústrias de celulose pensam em ajustes”, “setor gráfico prevê corte de custos”, “venda de papelão ondulado cresce menos de 1% em 2008”, e por aí vai.
No entanto, nesta quinta-feira, li um editorial de Nelson Rocco, editor-executivo da “Gazeta Mercantil”, que serve de alento. No artigo “Xô com o pessimismo do quarto trimestre”, Rocco comenta o crescimento do desemprego, a queda da produção industrial de 12,4% em dezembro, entre outros assuntos. “Calma lá. Xô quarto trimestre. Xô pessimismo. Não quero defender que se dê de ombros diante dos fatos e dos dados. Não dá para varrer as más notícias para debaixo do tapete..”, escreveu ele, que na seqüência cita algumas ações pontuais do Governo Federal para reanimar o mercado. Um exemplo: no caso da indústria automobilística, a redução de IPI (imposto sobre produto Industrializado) já deu um alívio ao mercado, que responde positivamente.
Espera-se que o setor químico e de máquinas e equipamentos esteja nos planos do governo. “Um ponto que serve como uma injeção de ânimo é o crescimento de 0,6% no consumo de energia elétrica em janeiro sobre dezembro. Que venha o otimismo”, deseja Nelson Rocco. E eu, honestamente, também.


Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
