Design do produto: muito além da estética
Mudanças na embalagem podem reposicionar sua marca, ajudá-la a ganhar credibilidade e até aumentar as vendas
A frase “O design é a única coisa que diferencia um produto do outro no mercado”, do designer Norio Ohga, é uma das máximas do segmento e pode ilustrar a importância do design de embalagens. Apesar de cada vez mais valorizado por empresas nacionais, o segmento ainda não ganha o mesmo destaque que possui no exterior, principalmente em países como a Dinamarca e a China, líderes em inovação e valorização.
A associação mais comum, quando se fala nesse tipo de design, é apenas à estética, fator fundamental, mas não o único quando o assunto é o planejamento de uma embalagem.
O desenvolvimento de uma embalagem tem objetivo comercial, isso vem justamente da junção de um design inovador e atraente, que, ao mesmo tempo, congregue a imagem com a usabilidade do produto, identidade visual da marca, busca de soluções seguras e práticas para fatores externos – como conservação do conteúdo e facilidade no manejo do objeto-, busca de reposicionamento no setor, entre outros, dependendo do caso.
Ou seja, pensar uma embalagem é ir muito além de fatores estéticos. Quando se trata de reformular algo já disponível ao público, o cuidado no processo deve ser ainda maior.
O sócio da Chelles & Hayashi, premiada empresa de Design, Gustavo Chelles, esclarece o Design de embalagens e sua importância para fins comerciais:
Quais os principais critérios na hora de começar a esboçar uma embalagem?
O modo correto de começar projetar embalagens é visualizar a sua cadeia – fabricação, envase, transporte, uso e descarte -, tendo o usuário como ponto focal. Com isso em mente, é possível dar pesos corretos a questões estéticas, de uso racional de material e de processos. Além de veículo para um produto, as embalagens também são suportes de comunicação, informando, atraindo e exprimindo conceitos para o público-alvo. Por isso é muito importante conhecer bem as pessoas para quem serão projetados os produtos, a concorrência e o ecossistema do ponto-de-venda.
O que avaliar ao cogitar alterar uma embalagem já no mercado?
Em primeiro lugar, devemos estar atentos ao nível de reconhecimento do produto a partir da identidade visual da embalagem – ela pode ser considerada como uma marca, e é identificada pelas pessoas como tal. Basta ver o exemplo da garrafa de Coca-cola e da embalagem de Maizena, ícones de identificação que não podem sofrer mudanças radicais, sob pena da perda do reconhecimento por parte do consumidor no ponto-de-venda. Os movimentos da concorrência devem ser avaliados, pois o design tem foco em diferenciação e inovação – não é ético confundir o consumidor, ao imitar o líder e induzir o comprador ao erro. Vale olhar para a cadeia logística da embalagem, detectando oportunidades de ganhos, através da racionalização de manufatura, armazenamento e transporte. Bastante importante também é a análise de impacto ambiental, identificando quais as oportunidades de reduzí-lo, como usar menos matéria-prima ou mesmo trocá-la para uma mais amigável.
A embalagem pode, e deve, agregar valor ao produto?
É claro, a embalagem tem uma importante função psicológica relacionada com a percepção de qualidade, tecnologia e confiabilidade do artigo que ela carrega. Além disso, ela pode prover outras funções que não a proteção primária ao produto. Ela pode se transformar em um brinquedo, objeto utilitário ou mesmo se tornar parte integrante da função do produto. Por exemplo, uma embalagem de um vaso feita de papel com sementes impregnadas na massa ou o envoltório de bujão de gás que tenha alça para a pessoa carregar o mesmo.
O Design pode ser parte de um trabalho para alavancar as vendas de um produto ou reposicionar uma marca?
O Design tem um forte impacto nas vendas, ainda mais em mercados onde os produtos são commodities ou os concorrentes têm preços parecidos. O bom design faz os atributos do produto ressaltarem, e também amplifica a percepção do consumidor. Pesquisas mostram que para muitos tipos de produto a decisão de compra se dá no ponto-de-venda, deixando de lado o fabricante, levando em conta preço e depois o melhor design. O reposicionamento de uma marca passa também pelo design de embalagem, que tem como função comunicar eficientemente as novas estratégias, selecionando o consumidor alvo e estabelecendo uma relação com ele. Como exemplo, a Schincariol, que desenvolveu todo um trabalho do qual as embalagens tomaram parte, a fim de reposicionar sua marca para reduzir sua rejeição em todo território nacional e justificar a experimentação.
A preocupação com o design de embalagens deve atingir quais empresas?
O design de embalagens não cuida apenas de estética, mas também de racionalidade, economia, adequação, qualidade, performance e sustentabilidade. Sendo assim, mesmo empresas que não exponham produtos no varejo, ou empresas com atuação B2B ou que manufaturem bens industriais, devem se preocupar com o design de embalagem. Fazendo isso, elas estarão incrementando o relacionamento com seus clientes, pois estes passarão a perceber mais claramente os atributos de excelência de seus produtos, o discurso fica mais fácil. Quem vai em uma entrevista de emprego mal vestido? E o que dizer dos produtos que fazem a empresa se sustentar e crescer, também não merecem um belo terno ou tailleur? A embalagem pode transformar a experiência de compra de um produto, encantando quem recebe. Vale lembrar o exemplo da Natura, cujas embalagens ampliam a percepção sensorial dos produtos e comunicam claramente a mensagem de sustentabilidade da empresa.
Sobre a Chelles & Hayashi Design
A Chelles & Hayashi Design foi fundada em junho de 1994. De lá para cá, consolidou-se como uma empresa criativa e inovadora, sendo premiada diversas vezes pelo desenvolvimento de produtos inovadores, como a lavadora PopTank da Mueller Eletrodomésticos, o Tanque Tigre, a linha de Porta-Filtros da Melitta, as lavadoras SuperPop e Belíssima, da Mueller. Acesse: www.design.ind.br
“O design é a única coisa que diferencia um produto do outro no mercado”, afirmou certa vez o designer Norio Ohga. A máxima pode ilustrar a importância do design de embalagens. Apesar de cada vez mais valorizado por empresas nacionais, o segmento ainda não ganha o mesmo destaque que possui no exterior, principalmente em países como a Dinamarca e a China, líderes em inovação e valorização. A associação mais comum, quando se fala nesse tipo de design, é apenas à estética, fator fundamental, mas não o único quando o assunto é o planejamento de uma embalagem.
O desenvolvimento de uma embalagem tem objetivo comercial. Ou seja, pensar uma embalagem é ir muito além de fatores estéticos. Quando se trata de reformular algo já disponível ao público, o cuidado no processo deve ser ainda maior. O sócio da Chelles & Hayashi, premiada empresa de Design, Gustavo Chelles, esclarece o design de embalagens e sua importância para fins comerciais.
Quais os principais critérios na hora de começar a esboçar uma embalagem?
O modo correto de começar projetar embalagens é visualizar a sua cadeia – fabricação, envase, transporte, uso e descarte -, tendo o usuário como ponto focal. Com isso em mente, é possível dar pesos corretos a questões estéticas, de uso racional de material e de processos. Além de veículo para um produto, as embalagens também são suportes de comunicação, informando, atraindo e exprimindo conceitos para o público-alvo. Por isso é muito importante conhecer bem as pessoas para quem serão projetados os produtos, a concorrência e o ecossistema do ponto-de-venda.
O que avaliar ao cogitar alterar uma embalagem já no mercado?
Em primeiro lugar, devemos estar atentos ao nível de reconhecimento do produto a partir da identidade visual da embalagem – ela pode ser considerada como uma marca, e é identificada pelas pessoas como tal. Basta ver o exemplo da garrafa de Coca-cola e da embalagem de Maizena, ícones de identificação que não podem sofrer mudanças radicais, sob pena da perda do reconhecimento por parte do consumidor no ponto-de-venda. Os movimentos da concorrência devem ser avaliados, pois o design tem foco em diferenciação e inovação – não é ético confundir o consumidor, ao imitar o líder e induzir o comprador ao erro. Vale olhar para a cadeia logística da embalagem, detectando oportunidades de ganhos, através da racionalização de manufatura, armazenamento e transporte. Bastante importante também é a análise de impacto ambiental, identificando quais as oportunidades de reduzí-lo, como usar menos matéria-prima ou mesmo trocá-la para uma mais amigável.
A embalagem pode, e deve, agregar valor ao produto?
É claro, a embalagem tem uma importante função psicológica relacionada com a percepção de qualidade, tecnologia e confiabilidade do artigo que ela carrega. Além disso, ela pode prover outras funções que não a proteção primária ao produto. Ela pode se transformar em um brinquedo, objeto utilitário ou mesmo se tornar parte integrante da função do produto. Por exemplo, uma embalagem de um vaso feita de papel com sementes impregnadas na massa ou o envoltório de bujão de gás que tenha alça para a pessoa carregar o mesmo.
O Design pode ser parte de um trabalho para alavancar as vendas de um produto ou reposicionar uma marca?
O Design tem um forte impacto nas vendas, ainda mais em mercados onde os produtos são commodities ou os concorrentes têm preços parecidos. O bom design faz os atributos do produto ressaltarem, e também amplifica a percepção do consumidor. Pesquisas mostram que para muitos tipos de produto a decisão de compra se dá no ponto-de-venda, deixando de lado o fabricante, levando em conta preço e depois o melhor design. O reposicionamento de uma marca passa também pelo design de embalagem, que tem como função comunicar eficientemente as novas estratégias, selecionando o consumidor alvo e estabelecendo uma relação com ele. Como exemplo, a Schincariol, que desenvolveu todo um trabalho do qual as embalagens tomaram parte, a fim de reposicionar sua marca para reduzir sua rejeição em todo território nacional e justificar a experimentação.
A preocupação com o design de embalagens deve atingir quais empresas?
O design de embalagens não cuida apenas de estética, mas também de racionalidade, economia, adequação, qualidade, performance e sustentabilidade. Sendo assim, mesmo empresas que não exponham produtos no varejo, ou empresas com atuação B2B ou que manufaturem bens industriais, devem se preocupar com o design de embalagem. Fazendo isso, elas estarão incrementando o relacionamento com seus clientes, pois estes passarão a perceber mais claramente os atributos de excelência de seus produtos, o discurso fica mais fácil. Quem vai em uma entrevista de emprego mal vestido? E o que dizer dos produtos que fazem a empresa se sustentar e crescer, também não merecem um belo terno ou tailleur? A embalagem pode transformar a experiência de compra de um produto, encantando quem recebe. Vale lembrar o exemplo da Natura, cujas embalagens ampliam a percepção sensorial dos produtos e comunicam claramente a mensagem de sustentabilidade da empresa.
TAGS: Chelles & Hayashi, design de produto, Embalagem, entrevista, Gustavo Chelles