Setor gráfico tem queda inferior à média da indústria
negócios | Por Tatiana em 9 de fevereiro de 2010
A indústria gráfica brasileira encerrou 2009 com queda de 2,39% na produção física de produtos, medidos em volume de papel convertido/impresso. A redução é bem menos acentuada do que a verificada para o restante da indústria de transformação (-6,7%). O resultado decorre de queda de 12,19% na produção de cadernos e 2% na de embalagens impressas e de incremento de 2% na área de impressos editoriais.
Tais números poderão ser retificados a partir de 15 de fevereiro, quando o IBGE fechar os dados consolidados relativos ao quarto trimestre de 2009. Todos os dados integram o Índice de Produção Física da Indústria Gráfica, originado pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física PIM-PF, fornecidos trimestralmente pelo IBGE à equipe do Departamento de Economia da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). Análises e estimativas são da equipe da Websetorial Consultoria.
| Resultados e Estimativas de Variação na Produção da Indústria Gráfica Brasileira | |||
| Variação( %): em relação ao mesmo período do ano anterior | |||
| jan-abr | jan – jul | jan-dez | |
| Embalagens Impressas |
-4,46 |
-4,22 |
-2,20 |
| Cadernos |
-20,79 |
-15,43 |
-12,19 |
| Produtos Gráficos Editoriais |
8,17 |
7,10 |
2,14 |
| Total ABIGRAF |
-3,54 |
-3,16 |
-2,39 |
Comércio
A pesquisa mensal do comércio PMC/IBGE indica aumento de 10% nas vendas, no comércio varejista, de produtos nacionais e importados do setor gráfico, nos 12 meses contados entre dezembro de 2008 e novembro de 2009. No mesmo período, também foi de 10% o crescimento das receitas nominais decorrentes da venda desses produtos. Assim, descontada a inflação pelo INPC, de 4,11%, as receitas de livros, jornais, revistas e produtos de papelaria cresceram 5,89% em termos reais, no comércio.
Balança Comercial
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de janeiro a dezembro de 2009, as exportações brasileiras de produtos gráficos totalizaram US$ 219,08 milhões, representando queda de 14,3% em comparação com o ano anterior. As importações foram de US$ 297,76 milhões, o que significa redução de 19,5%.
A crise internacional, deflagrada em setembro de 2008, teve impacto negativo tanto de exportações como nas importações. Pelo fato de o recuo nas importações ter superado o das exportações, até dezembro, houve melhora no resultado da balança comercial do setor.
Dentre os US$ 297,76 milhões de produtos gráficos importados, acumulados ao longo de 2009, destacaram-se os editoriais (livros e revistas). Estes representaram 42,7% (US$ 127,22 milhões) das importações gráficas totais, com queda de 10,2% em relação a 2008. As importações de embalagens também foram relevantes e corresponderam a 20,7% do total ou US$ 61,75 milhões – a diminuição dessas importações foi de 13,6% em 2009, em relação a 2008. As compras externas são originárias especialmente dos Estados Unidos, China e países da Europa.
No tocante aos US$ 219,08 milhões exportados, apesar da queda em quase todos os segmentos gráficos, os cartões acumularam crescimento de 52,7% em relação a 2008 – com US$ 63,04 milhões. Este segmento já é o segundo da pauta da indústria gráfica, seguindo-se ao de embalagens – com US$ 69 milhões exportados. Cabe observar que a expansão das vendas externas de cartões Inteligentes (”smart cards”) ocorreu em todos os meses de 2009. As exportações brasileiras de produtos gráficos destinam-se principalmente às nações das Américas.
O saldo comercial da indústria gráfica encerrou 2009 com déficit de US$ 78,69 milhões. Isto representa melhora em relação a 2008, cujo resultado foi de déficit de US$ 114,43 milhões. O saldo negativo recuou, portanto, 31,23%.
| Balança Comercial da Indústria Gráfica Brasileira por Segmento – ano de 2009 | |||||
| ExportaçõesUS$ milhões | ImportaçõesUS$ milhões | SaldoUS$ milhões | Participação nas Exportações Totais | Participação nas Importações Totais | |
| Cadernos | 29,93 | 4,37 | 25,56 |
13,7% |
1,5% |
| Cartões | 63,04 | 42,17 | 20,87 |
28,8% |
14,2% |
| Embalagens | 68,47 | 61,75 | 6,72 |
31,3% |
20,7% |
| Envelopes | 0,30 | 0,42 | -0,12 |
0,1% |
0,1% |
| Etiquetas | 8,26 | 16,37 | -8,10 |
3,8% |
5,5% |
| Impressos Fiscais | 3,81 | 6,22 | -2,41 |
1,7% |
2,1% |
| Formulários | 1,18 | 0,61 | 0,57 |
0,5% |
0,2% |
| Editorial | 25,22 | 127,22 | -102,00 |
11,5% |
42,7% |
| Promocional | 18,87 | 38,66 | -19,78 |
8,6% |
13,0% |
| Total | 219,08 | 297,76 | -78,69 |
100,0% |
100,0% |
Investimentos
Com relação aos investimentos do setor gráfico em máquinas e equipamentos, o volume acumulado entre janeiro e agosto de 2009, de US$ 659,93 milhões, é 45,1% menor em relação a igual período do ano anterior. Em 2008, aliás, verificou-se o maior nível de investimentos do setor nos últimos cinco anos, com US$1,82 bilhão.

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
