Antilhas apresenta cura por feixe de elétrons: uma revolução tecnológica na indústria de embalagens
Embalagem, tecnologia | Por Margaret em 27 de agosto de 2009
O maior pilar de crescimento da Antilhas Soluções Integradas para Embalagem é a inovação, o desenvolvimento e a invenção. É com essa afirmação que Valter Baptista, diretor-presidente da Antilhas e superintendente da TechnoSolutions, empresa criada em julho de 2008, para ser uma incubadora de idéias voltada à inovação tecnológica, que o empresário anunciou a instalação de um equipamento de cura de impressão por EB (electro-beam – feixe de elétrons) na impressora flexógrafica gearless 8 cores da Comexi. A iniciativa é pioneira no Hemisfério Sul.
De acordo com Baptista, foi necessário realizar investimentos de US$ 2 milhões para que o EB estivesse funcionando plenamente na Comexi da Antilhas. “Aqueles que investirem no novo processo terão retorno entre seis meses e três anos, com excelente relação custo-benefício, a começar pela economia, além dos ganhos de qualidade que oferecerão aos seus clientes”. Fabricado pela norte-americana Energy Sciences Ink. (ESI), líder mundial na produção de processadores do tipo Eletronic-Beam, o EB é uma tecnologia sustentável, que promete ser um divisor de águas na indústria gráfica brasileira.
Desenvolvida especialmente para a indústria de embalagens com sistemas flexográficos ou offset, o equipamento pode ser utilizado para realizar a cura de vernizes e tintas em uma ampla variedade de substratos de papel ou polímeros, com uma economia de energia de até 60%, operando em alta velocidade de 500 metros/minuto. Segundo Wilson Paduan, diretor-técnico da TechnoSolutions, essa redução do consumo de energia é possível porque o equipamento utiliza energia na dose certa. “Em velocidades mais baixas, a economia pode ser ainda maior”, garante. “A tecnologia diminui de 20 a 30 vezes as emissões de compostos orgânicos voláteis emitidos na atmosfera”, acrescenta.
Para ampliar as vantagens oferecidas pelo EB, a TechnoSolutions em parceria com a Saturno e a Tupahue viabilizou a pesquisa e desenvolvimento de uma tinta criada especialmente para a cura por feixe de elétrons. Com patente internacional requerida recentemente, a nova tinta de impressão flexográfica, denominada EasyRad, apresenta custos operacionais muito próximos aos das impressões com tintas à base de solventes. “As impressões oferecem maior resolução e são mais limpas e contrastadas. Também apresentam resistência química e mecânica superiores às das tintas convencionais, permitindo, em muitos casos, dispensar a laminação ou realizar, apenas, a aplicação de uma fina camada de verniz de baixo odor”.
O apelo sustentável da nova tecnologia EB ganha mais força com as alianças estabelecidas pela Antilhas. A parceira alemã Henkel desenvolveu o Miracure EB Coating, um verniz que substitui a tradicional estrutura laminada de embalagens flexíveis, possibilitando a utilização de apenas uma camada protegida pelo novo produto. Essa solução é fruto do pioneirismo da empresa na busca pelo desenvolvimento de produtos inovadores. Fernando Pardal, gerente de negócios de adesivos industriais para o Brasil e Chile da Henkel, lembra que há 15 anos, a companhia desenvolveu o primeiro adesivo sem solvente para embalagens flexíveis. “Agora a Henkel traz para o mercado brasileiro o Miracure EB Coating para embalagens flexíveis. Estamos apostando no sucesso desse produto”.
Entre as vantagens verdes do verniz em relação às embalagens laminadas é que o produto é 100% reciclável, além disso, a sua aplicação é feita em temperatura ambiente, curado a frio, gerando maior economia de energia. Pardal explica que esse produto é totalmente isento de solventes. “A redução do consumo de energia é considerável, já que a tecnologia dispensa a utilização de estufas para extração de solventes”. Além disso, segundo ele, o Miracure EB Coating permite uma redução de 30% no custo de produção das embalagens flexíveis e até 40% de economia de material em embalagens de ração animal”, exemplifica o executivo.
A nova solução também simplifica o processo produtivo, com aplicação de verniz na própria impressora e com o corte em linha. “Para se ter uma ideia do ganho de produtividade na cadeia, antes a realização de todo o processo levava 96 horas. Agora, apenas quatro horas”, diz Pardal.
O Miracure EB Coating é produzido somente, na Henkel Estados Unidos, desde 2002, para aplicação em embalagens longa vida, bolsas, sacolas e cartuchos. O produto será importado para o Brasil. “Mas quando houver uma demanda justificável, com mais empresas investindo na tecnologia EB, podemos pensar em ter uma produção local”, explica.

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
